Um estrangeiro jamais entenderia os meus versos, não conhece o agridoce de uma estrela d'árvore, nem a consistência de um jambo maduro. Seria incompreensível. Mas não é. Nos entendemos pelo brilho de um pós-verso, da contemplação na folha de um passado narrado que chega até ali em quatro ou cinco palavras sucintas. A frase vinda a tiro, a falsa generosidade de um verso dado e incapacidade perante um silêncio eloquente, e a consciência de gritar nele o mais óbvio.
Já tornou-se um chavão, mas devemos relembrar: "Morreram os ingleses, não existirá mais a Inglaterra, e quando não mais existir um indivíduo sequer que fale o inglês, falar-se-á Shakespeare."
E eu entendo: "Éparse au vent crispé du matin / Qui va fleurant la menthe et le thym... / Et tout le reste est littérature." Paul Verlaine
A poesia é o encontro. Não construímos a Torre de Babel.
A quem muitas vezes encontrei, embora quase sempre indeciso. Com respeito a um dos mais ricos poetas da minha humanidade, Paul Verlaine.
Encontrando Paul Verlaine
Et je me’en vais
Au vent mauvais
Qui m’emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feullie morte
"Chanson D'Automne", Paul Verlaine
Escutar teus versos melodiosos
Como o rolar de um tapete vermelho
Que continuamente se abre
E se mostra.
Tua tessitura – começo e fim.
O charme de seda (tua língua)
Um convite,
um descer do monte
Parnaso,
a que ficaste ao meio do caminho
Ébrio e confuso poeta.
Ao meio do caminho
Porque és o anfitrião.
Que árvore o fizeste folha caída?
Pois que te recolho. Estás maduro
E não morto.
Teus versos indecisos bem aqui cairão.
Com tua melodia, teu verso-acorde:
“Les sanglots longs des violons”
Não subas o Monte, bardo!
Que tua embriaguez aqui é bem vista
E nossas belas palavras te gritam
E anseiam tua sinfonia
E que te abrem o farrapo
De tessitura aos retalhos
(mas
com
caminho)
Em nossas canções de verão
Tua alma exalta.
Teus amores serão válidos.
Valem teus versos, Verlaine!
E que considero teus poemas de outono
Mas quisera-me Deus
Ver tua melodia a rimar
maribondo!
Venha, Verlaine, que neste caminho
Apenas o verso é o encontro!
Flávio Morgado








